Cartas da Presidente
Um novo ano um outro olhar Dezembro 2009 O final de cada ano constitui um momento de reflexão muito importante: é a altura certa de avaliar o que foi feito durante o ano mas também de pensar em projectos futuros. 2009 foi ano de eleições autárquicas, momento sempre importante na vida de uma comunidade, já que é a oportunidade que os eleitores têm de avaliar o que foi feito e escolher o seu futuro. Nos últimos doze anos, a Dr.ª Maria Geni Veloso das Neves e as equipas que liderou trabalharam muito em prol da Portela e de todos os seus habitantes e deixaram uma obra marcante e que muito orgulha os moradores da Portela. Através do seu voto, os Portelenses aprovaram, de forma muito expressiva, a lista que encabecei e o programa que apresentei, assentando, através da continuação dos projectos realizados pelos Executivos anteriores, na aposta de mais e melhor qualidade de vida para os Portelenses. O novo ano de 2010 irá trazer um outro olhar à Portela. Com o mesmo empenho e dedicação de quem serviu a Portela nos últimos anos, vamos continuar a apostar e trabalhar no sentido da humanização da freguesia. A Portela tem características únicas enquanto bairro e comunidade. Essas características devem ser aproveitadas e valorizadas, tendo a Junta de Freguesia um papel importante a desempenhar nesse sentido. Por um lado, queremos aproximar os Portelenses dos seus eleitos. A Junta de Freguesia é um espaço aberto a todos. Queremos que os Portelenses se envolvam mais nas questões comuns e nas actividades da freguesia. Esta proximidade passa também por um contacto mais directo e eficaz na resolução de problemas, aproveitando as novas tecnologias de informação. Por outro lado, acredito que a Junta de Freguesia pode e deve desempenhar um papel social relevante na aproximação entre as pessoas, fomentando a solidariedade, o voluntariado, as actividades recreativas e culturais, no sentido de todos nos podermos aproximar mais, enquanto comunidade. O Natal é época de esperança e solidariedade. Por isso, deixo-vos a seguinte reflexão: que contributo pode cada um nós dar na sua comunidade? Desejo a todos, em nome do Executivo e em meu nome pessoal, os mais sinceros votos de um Feliz Natal, e um Ano Novo como cada um deseja. Maria Manuela Dias Presidente da Junta de Freguesia da Portela
Portela Por Paixão Novembro de 2009 Os portelenses decidiram nas eleições autárquicas do passado dia 11 de Outubro renovar a sua confiança, por maioria absoluta, no PPD/PSD e na equipa que encabeço. Sempre confiámos nos portelenses e nas suas escolhas e acreditámos sempre que o trabalho que tem sido desenvolvido na freguesia tinha o seu apoio e reconhecimento. O trabalho feito na Portela, nos últimos 12 anos, teve um rosto à frente de várias equipas: um rosto de competência, um rosto de dedicação, um rosto de solidariedade, um rosto de paixão pela nossa freguesia. E esse rosto tem um nome, Dra. Maria Geni que durante 12 anos se entregou de corpo e alma à Portela, viveu para esta freguesia ouvindo as pessoas, trabalhando a pensar nas pessoas, querendo o melhor para a portela. Desde o primeiro dia que senti o apoio de muitos e muitos portelenses: de professores e de funcionários da escola, de antigos alunos e professores, de pais e de avós, de rostos familiares ou desconhecidos. Na rua, no Centro Comercial, no bairro municipal, na Quinta da Vitória, junto das forças vivas da Portela, em todo o lado encontrei palavras de apoio e incentivo. Da minha família e dos meus amigos. Por isso, quero agradecer a todos aqueles que me apoiaram: aos que confiaram em mim e aos que aceitaram fazer parte da minha equipa, aos que trabalharam comigo e aos que me deram palavras de ânimo e incentivo, a todos os que através do seu voto quiseram dar-me o seu voto de confiança e de reconhecimento pelo trabalho feito na Portela. É uma honra e um privilégio ter a oportunidade de continuar a obra que está à vista de todos, desta vez liderando mais um grupo de muita qualidade. Quem me conhece sabe como me refiro aos projectos em que me envolvo: A minha escola!! Agora a minha freguesia!! Digo-o porque fazem parte de mim e da minha vida, porque me dedico a eles com toda a força e energia. Sempre com o mesmo princípio: “servir os outros”. Este executivo está consciente das dificuldades que vai encontrar! Estamos preparados para as enfrentar. Da nossa parte, tudo faremos para lutar pelos interesses dos portelenses. Acredito que, neste campo, terei o apoio dos representantes de outros quadrantes políticos na assembleia de freguesia, sempre que estiverem em causa os interesses da nossa freguesia. Foi para isso que todos fomos eleitos. A portela tem direito aos equipamentos que dignificam as instituições e que a população reclama. A freguesia tem mais de 12 mil eleitores inscritos – merecemos um edifício autárquico condigno. Este dossiê tem que ser definitivamente desbloqueado. O realojamento da quinta da vitória tem que ser urgentemente concluído e de forma definitiva. O lar de idosos com centro de dia tem que ser uma realidade na Portela. Vamos continuar a insistir na necessidade da criação de mais creches e infantários na freguesia. Não desistimos de insistir na necessidade de patrulhas policiais permanentes nas zonas mais problemáticas da freguesia. Vamos lembrar a quem de direito a necessidade de uma maior intensificação do programa “escola segura”. Queremos continuar a valorizar a Portela como pólo de cultura – para além do grupo coral e do teatro sénior, vamos apostar em novas áreas culturais. Vamos apostar em novos projectos virados para os jovens: o pólo do conservatório nacional da música deve ser devolvido à freguesia. Criaremos um grupo de teatro amador de jovens. Tudo faremos para que o coro infantil seja uma realidade. Vamos retomar o dossiê da criação de um pólo universitário na freguesia. Iremos reforçar a nossa colaboração com as iniciativas de voluntariado que visem a protecção dos mais necessitados e o combate ao isolamento e solidão, proporcionando uma melhor qualidade de vida àqueles que se encontram em situação de dependência e carência afectiva. Acreditamos que a Câmara Municipal estará ao nosso lado, num esforço comum de dar resposta às necessidades dos portelenses e para possibilitar que os objectivos definidos para este mandato e sufragados pelos portelenses se possam cumprir. Mas estamos determinados para, sempre que for necessário, lutar e exigir, junto das autoridades competentes, que estes projectos avancem e sejam uma realidade. Estamos certos que as várias forças políticas partilham estes desafios que não são nossos mas dos portelenses. Quem ama a portela, quem quer trabalhar, quem coloca o bem comum acima dos seus interesses pode contar comigo. Eu conto com todos. Que cada um de vós, acima das diferentes escolhas políticas, assuma a Portela por paixão. O meu muito obrigado. Maria Manuela Dias Presidente da Junta de Freguesia da Portela 
A Portela que eu amo Outubro de 2009 Todos sabem o quanto amo esta terra, dediquei-lhe a tempo inteiro os últimos 12 anos da minha vida. Sempre quis o melhor para a Portela, lutei por ideias e por projectos sem olhar a rostos ou a emblemas partidários ou outros, e penso que a deixei de alguma forma marcada. Quanto mais não seja em mim, por todo o carinho e afecto que deposito em todos e em cada um de vós. A freguesia cresceu com seriedade, demos passos fundamentais no realojamento, na integração dos habitantes da Quinta da Vitória na comunidade, no impulso decisivo para o andamento das piscinas, no bloquear alguns projectos maus e no promover outros que considero bons, uns já implementados, outros ainda por acontecer. Não esquecemos as pessoas e a era da humanização esteve sempre presente no meu sentir. A melhoria de todas as acessibilidades, os arranjos exteriores e o seu embelezamento, a construção progressiva de mais parques de estacionamento, as festas da nossa freguesia, o Grupo de Teatro, o Grupo Coral, o Posto Clínico, o Gabinete de Psicoterapia, o Banco de Tempo, o Cyber Portela, a forma de receber os fregueses sempre que solicitada, são apenas algumas das coisas que provam que pensei sempre nas pessoas. Alguns poderão não ter tido a resposta que desejavam, mas todos tiveram resposta. Estive no projecto de corpo e alma, dando sempre o rosto em todos os momentos, sem hesitações, porque acreditei, solidária com todos os membros dos meus executivos, que íamos no bom caminho. Sabíamos o que queríamos e o que não queríamos, por isso, tivemos poucas hesitações nestes anos. Soubemos trabalhar, à nossa maneira, com a CDU e com o PS na autarquia e nunca procurámos excluir ninguém, mas sim incluir e acrescentar valor. Tivemos algumas «guerras», mas até essas foram salutares, dada a energia que proporcionaram sempre fazer mais pela Portela. Nunca privilegiámos os interesses pessoais. A Portela marca. Sem dúvida que marca, e de que maneira, aqueles que por aqui vão passando e sentindo as diferenças. A todos os que comigo trabalharam, a todos os que em mim depositaram a sua confiança política, a todos os portelenses que foram, e em permanência, fazendo chegar as suas ideias e críticas, o meu muito obrigada. É a vossa forma de pensar e agir que me foi dando força, em todos os momentos para actuar sempre, mas sempre, em defesa da nossa terra. Como sabem abarco novo projecto, mas nunca, e em momento algum, esquecerei esta Portela que eu amo. Dr.ª Maria Geni Veloso das Neves
A necessidade de saúde e de bem-estar Julho de 2009 A área da saúde é fundamental para o bem-estar da nossa população. Numa freguesia que se encontra já um pouco envelhecida, os cuidados de saúde, sejam eles de prevenção, acompanhamento ou tratamento, são fundamentais. Procuramos que sejam mais céleres, e desta forma, mais eficazes. A criação do Posto Clínico, que todos conhecem, na nossa Junta de Freguesia, em parceria com os Bombeiros Voluntários de Moscavide e Portela, foi uma primeira grande medida implementada perante a ausência de repostas adequadas dos serviços centrais às necessidades de uma população que precisava de soluções. Mas não poderíamos ficar por aqui, nunca baixámos os braços e conseguimos algo mais. E assim, é hoje possível, para além dos serviços de enfermagem já disponibilizados pelo Posto Clínico, avaliar, gratuitamente, tensão arterial, diabetes, peso e índice de massa corporal (IMC), através de uma parceria estabelecida entre a Junta de Freguesia da Portela e a Delegação de Loures da Cruz Vermelha Portuguesa. Estes serviços que prestamos em parceria permitem responder não só à Portela mas também à população envolvente e facilitar ainda um melhor conhecimento da realidade social do nosso bairro. Nunca nos podemos esquecer daqueles que estão sós e entregues a si mesmos, ou dos mais idosos que se encontram fragilizados e carentes. Temos de ir em busca de soluções que satisfaçam as mais prementes necessidades das populações. O desenvolvimento de uma acção de serviço ao domicílio será uma das faces visíveis deste esforço. Visamos dar uma resposta pronta e cómoda, mostrando que nos importamos com todos e em particular com os que estão enfermos. Também por diligências várias desenvolvidas junto da Direcção Regional de Saúde estamos a lutar para que seja possível através do nosso Posto Local a marcação de consultas relativas ao nosso centro de saúde, em Moscavide. A área da saúde não é uma responsabilidade individual nem apenas de um Ministério, é de todos e todos temos de “dizer presente” quando se trata do bem-estar das populações. Temos consciência de que estas medidas isoladas não serão suficientes para dar resposta ao que todos precisam, mas será sempre uma resposta importante para os que mais precisam. Dr.ª Maria Geni Veloso das Neves
O recenseamento eleitoral e as próximas eleições Maio de 2009 Escolhi, hoje, este tema, para me dirigir a todos os Senhores Moradores no intuito de os informar de algumas alterações que se relacionam com o Recenseamento Eleitoral. Com a publicação da nova Lei 47/2008 de 27 de Agosto alteraram- se algumas regras de organização e funcionamento do recenseamento eleitoral. Para melhor conhecimento das modificações consagradas na estrutura do recenseamento eleitoral, enumeram-se os aspectos nucleares do novo sistema. 1. A inscrição (e transferência) dos cidadãos nacionais residentes no território nacional é feita automaticamente, através da plataforma do cartão de cidadão e dos sistemas de identificação civil e militar. 2. Por esse motivo, as Juntas de Freguesia (Comissões Recenseadoras) já não procedem à inscrição dos eleitos nacionais, a não ser no caso de transferência (mudança de freguesia). 3. A inscrição voluntária (e transferência) ao abrigo do princípio da reciprocidade de cidadãos estrangeiros legalmente autorizados a residir em Portugal e desde que provem a sua residência neste País, continua a ser feita nas Juntas de Freguesia. 4. Ao substituir o seu bilhete de identidade pelo cartão de cidadão o seu número de eleitor poderá ficar alterado. Deve conservar a carta que lhe foi dirigida e que identifica o seu número actual de eleitor. 5. Todos os Senhores Moradores que não adquiriram cartão de cidadão e não mudaram de residência, o seu número de eleitor continua inalterado. Aconselho todos os Senhores Moradores que se encontram nas situações acima enunciadas a consultar os cadernos eleitorais, a partir do fim do mês de Maio e antes do acto eleitoral, que se vai realizar a 7 de Junho de 2009. Maria Geni Veloso das Neves Como superar a crise Março de 2009 É constrangida que hoje escrevo sobre este assunto. Muito se tem falado sobre a crise, sinal evidente de que ela está presente. Apesar de ser um tema muito discutido em todas as vertentes da comunicação social, não quero deixar de o aflorar neste jornal da Comunidade Portelense. Como presidente da Junta de Freguesia sinto diariamente o pulsar cardíaco de muitas famílias e vivo a angústia de querer dar resposta às necessidades básicas e não se ter algo. O desemprego atormenta e corrói os sentimentos mais nobres do ser humano e na nossa freguesia é uma verdade incontornável. Tem-se vindo a assistir a uma vaga crescente de desempregados. As nossas escolas têm sido palco de cenários muito tristes onde algumas das nossas crianças apenas vivem com uma refeição – a que tomam na escola. Este flagelo social levou a Junta de Freguesia e a Associação de Pais da Escola de 1.º Ciclo e Jardim de Infância a criar um Gabinete de Apoio à Criança e à Família, com o objectivo de Intervir para Mudar e Reconstruir a Identidade Social, colmatando, assim, algumas lacunas sociais. Com o tempo identificaram-se situações de desigualdades sociais, de discriminação e consequentemente de exclusão social. Estes problemas exigiram o recurso a vários meios para combater a situação de pobreza a que estas famílias chegaram. Tem sido o Banco Alimentar o recurso fundamental e também outras organizações locais que têm ajudado as crianças a adquirirem o material necessário para o trabalho em sala de aula e a reforçarem os seus conhecimentos com aulas extraordinárias. Tem-se actuado em prol do bem-estar destas famílias. A crise pode ser dura. Contudo, ela exige de cada um de nós profunda e merecida reflexão sobre como actuar em parceria. Sozinhos nunca poderemos mudar o mundo. Maria Geni Veloso das Neves
Um Momento de Esperança Dezembro 2008 Pretendo hoje deixar-vos, neste espaço, um grito de esperança. Em cada dia que passa a ideia de crise interioriza-se cada vez mais no pensamento de todos os cidadãos do mundo. Infelizmente temos relatos de pessoas que conhecemos que têm vindo a perder os seus empregos que não conseguem assumir as responsabilidades contraídas, por se encontrarem em situação financeira difícil. Não escondo que vivemos tempos difíceis e esse cenário existe na nossa freguesia. São os jovens que anseiam conquistar o seu primeiro emprego, os seniores cuja reforma não sustenta as despesas essenciais. Assistimos a novas formas de pobreza e exclusão social. A ausência de clarificação sobre o que se tem passado e vivido, impõe-nos um sentimento de insegurança e não podemos ignorar que a sentimos em cada dia que passa. Todos temos consciência de que algo tem de ser feito para contrariar os resultados a que chegamos. A História revela-nos o que se passou em tempos de crise e como se evoluiu. Esses resultados incentivam-nos a construir melhores caminhos de mudança. Tenho a certeza de que seremos capazes. A época especial que se avizinha vai permitir-nos pela energia e sensibilidade que nos transmite, pensar e sentir que a esperança é a última lacuna a morrer dentro de nós. Transmito a todos os Portelenses e de uma forma especial àqueles que nestas linhas se revêem, a minha solidariedade e empenho na construção de um futuro melhor. Formulo a todas as Famílias da minha freguesia votos de um Santo Natal. Maria Geni Veloso das Neves
A Portela em movimento
Novembro de 2008
O desenvolvimento local, assumido numa perspectiva de sustentabilidade, bem-estar e qualidade de vida, tem sido o princípio constante em todas as acções, projectos e obras que a Junta de Freguesia tem levado a bom termo, não descurando a actividade cultural como dimensão essencial da cidadania e da manutenção da qualidade dos serviços públicos que presta. Falo-vos, hoje, do ambiente de festa que se viveu no mês de Outubro, comemorando a criação da Freguesia da Portela. Foram momentos agregadores e simbólicos da nossa vivência colectiva, em que se deu visibilidade ao mérito artístico, cultural, económico e social. Mais do que uma simples festa, a animação foi permanente e tem ganho dinamismo diferente todos os anos, como resultado da constante e diversificada actividade que se lhe tem imprimido. Alegria, cor, dinamismo, interactividade, partilha e criatividade foram as temáticas desfrutadas por todos aqueles que visitaram o recinto das festas. A música foi a vertente essencial de todo o processo festivo. Também o que de melhor se fez nas escolas esteve patente ao público, indicando o caminho da afirmação inequívoca da aposta dos professores nas crianças e nos jovens. Uma referência para a população sénior que continua a ser uma força em movimento, participativa, com presença assídua na vida social e cultural desta Freguesia, onde gostamos de viver e onde o bem-estar de todos os portelenses está em primeiro lugar. A avaliar pela adesão e interesse que a população em geral tem demonstrado pela actividade cultural vivida na nossa freguesia, impõe-nos continuar, envolvendo não só as instituições, mas também as iniciativas individuais e da comunidade como sempre o temos feito até aqui. Mais esforços para dinamizar esta vivência colectiva promovendo o convívio serão sempre os objectivos deste Executivo. Maria Geni Veloso das Neves O Olhar atento sobre a nossa freguesia
Stembro de 2008 Sendo a Portela a freguesia do Concelho de Loures onde os níveis de habilitações literárias são os mais elevados, e, à luz dos Censos de 2001, se apresente como um território com uma taxa de desemprego de 6,5% (abaixo da média concelhia), parece-nos fundamental aqui, e hoje, sinalizar esse fenómeno que cada vez mais vem ganhando novos contornos e resultados preocupantes. O desemprego é não só um factor de destabilização económico-financeira mas também emocional e comportamental. Atendendo à actual conjuntura do país, e aos constantes constrangimentos que dela advêm (enformando nas mais variadas formas de exclusão social), propomo-nos à elaboração de um estudo que nos elucide os vários patamares de desempregados da nossa Freguesia (inscritos no Centro de Emprego) que, quinzenalmente, se apresentam nas instalações da Junta de Freguesia. Tal abordagem permitir-nos-á sentir a realidade vivida por estas pessoas, para além de contribuir para complementar e actualizar o Diagnóstico Social da Freguesia neste âmbito. Como se sabe, tem sido timbre deste executivo defender o papel da humanização permanente na nossa terra. Temos lançado desafios e estimulado vontades de apoio e voluntariado àqueles que mais precisam, situação que tem merecido grande acolhimento por parte da população. Propomo-nos, com coragem, a mais um desafio: proporcionar à população desempregada da nossa freguesia apoio psicológico e formação no âmbito das novas tecnologias. Encontramo-nos disponíveis para iniciar um trabalho que tem como objectivo colmatar algumas fragilidades que a situação de cada um tem vindo a registar.
O vluntariado, a solidão e a Portela Maio de 2008 Já foi tema deste meu espaço de redacção mas não posso deixar de voltar a esta temática. Gostava de propor à população, o debate relativamente à questão do voluntariado, numa era em que a solidão impera, em que as pessoas se isolam, consciente ou inconscientemente. Surgem nas nossas vidas inúmeros relatos de dificuldades afectivas, de tristeza, angústia e sofrimento. Não é fácil fazer face a este tipo de flagelo, é individual, é isolado, e nem sempre tem a visibilidade necessária que nos permita abarcar todos e combater o problema. Num mandato que pretendo que tenha como chancela a continuidade da «Era da Humanização», seria impossível fechar os olhos a esta questão. A primeira forma de combater esta situação foi, como prioridade dos executivos que chefiei, o criar de um conjunto de dinâmicas desportivas e socioculturais que permitissem às pessoas encontrar actividades que não só dignificassem a nossa freguesia, mas que também lhes ocupassem os tempos livres e criassem laços de afecto entre pessoas. Banco de Tempo, Grupo Coral, Grupo de Teatro, Festas da Portela, Acção Desportiva, Passeio Mistério, são apenas alguns dos bons exemplos daquilo que foi feito. Mas não chega. É preciso mais, é preciso conhecer em profundidade a situação da solidão na nossa Portela, e neste sentido peço o apoio de todos para podermos de mãos dadas ir ao encontro desta minha preocupação que estou certa será de todos. Como podemos nós combater na nossa freguesia a solidão? A nossa Portela tem um número muito significativo de pessoas que desenvolvem acção voluntária, fora de portas. Muita dela anónima, em hospitais, em associações sem fins lucrativos, sob as mais diferentes formas, sobre os mais diferentes sectores da vida da nossa sociedade. Será possível também aqui, e por e para nós agregar estes esforços virando-os para a nossa Portela? No nosso site, www.jf-portela.pt no espaço do fórum ou mesmo na sede da nossa Junta de Freguesia gostaríamos de ver este tema debatido com seriedade. De ouvir pessoas, de recolher informações e testemunhos de modo a que seja possível em mais um projecto sermos pioneiros. Não para dizer que fomos pioneiros, mas para sermos dos primeiros em todas as frentes que possam dar mais satisfação às nossas populações. Todas as organizações e instituições são poucas para irmos mais além. As dinâmicas criam-se e a Junta de Freguesia quer estar no pelotão da frente do combate às carências socioafectivas da sua população. Maria Geni Veloso das Neves Capital-Conhecimento Março de 2008 As crises são cíclicas. E neste momento vive-se uma crise não só no nosso país mas um pouco em todo o mundo. Crise financeira que pode gerar uma crise económica, o que seria mais preocupante e também uma crise de valores e de confiança. Nas crises as pessoas sentem-se de alguma forma reconfortadas com o capital que conseguiram gerar ao longo da sua vida. Noutros tempos era a terra, os produtos alimentares, o ouro, o dinheiro. Naturalmente todas estas formas de riqueza são ainda importantes, mas sem dúvida que se caminha para uma nova forma de capital, o capital da educação e do conhecimento. A sociedade evolui e é a definição de competências individuais e colectivas aquela que verdadeiramente nos confere um capital que, quanto maior for a crise, maior o seu valor. É fundamental formar, formar bem os nossos jovens. É fundamental criar condições de acesso ao verdadeiro conhecimento seja na área que for, pois todas elas são importantes para o somatório do conhecimento colectivo. Os países têm políticas mas nenhuma vinga sem um povo com o capital do conhecimento. Todos temos de dar o nosso melhor na criação deste capital. Os pais ajudando os filhos no dia a dia e na escolha das melhores soluções de ensino e educação. Os governos ao dotarem as escolas de professores preparados e com meios técnicos e humanos para transmitirem e permitirem a apreensão do conhecimento. As autarquias, agora com responsabilidades acrescidas, a estarem de perto a acompanhar as suas escolas. Não só pelo seu funcionamento, não só pela segurança física que é tão reclamada pelos professores, mas pela certeza do cumprimento das mais elementares regras de funcionamento dos estabelecimentos de ensino ajudando professores, técnicos e auxiliares de ensino e, naturalmente, pais e alunos para que este capital não se perca. Para que o capital humano do conhecimento esteja sempre em desenvolvimento. Não há reformas sem pessoas, não há políticas sem pessoas, nem país em desenvolvimento sem conhecimento. O nosso país já desaproveitou algumas oportunidades únicas de dar saltos no sentido do desenvolvimento. Vamos acreditar que nesta matéria o mesmo não vai suceder. Temos de ir mais longe. Não numa teoria olímpica mas humana. Centrada nos homens e sem nunca os esquecer É preciso dotar os nossos recursos, os portugueses, de conhecimento e isto só é possível com um enorme esforço e com uma agregação de forças de todos os sectores. Temos de viver a era da humanização nos caminhos do conhecimento. Maria Geni Veloso das Neves
Uma Portela Diferente Dezembro de 2007 Quando me propuseram escrever sobre o tema da diferença achei curioso, uma vez que já há muito tempo, afirmo, em circuito de amigos, que a Portela é diferente. E é realmente diferente. Diria que quase em tudo é uma freguesia com características especiais. Não estamos imunes a nenhum dos grandes problemas nacionais, a crise económica, o desemprego, a marginalidade ou qualquer outro malefício de que o país sofra, mas somos diferentes. O primeiro factor de diferença está na tipologia, hiper concentrada de alta densidade habitacional. Sem ter dados seguros, provavelmente, das mais elevadas do país. No entanto, é um bairro que funciona, que está organizado que oferece infra-estruturas e apoio de comércio e serviços à sua população. Da ausência de espaço quase que conseguimos «inventar» soluções para dar resposta às necessidades das populações. E por isso não podemos cometer erros no planeamento do nosso território, é exíguo e serão todos muito evidentes e de difícil solução. O que nos levou às «batalhas» passadas que bem conhecem, mas que temos vindo a ganhar. Como segunda diferença referenciaria as pessoas. Os moradores da nossa freguesia, que naturalmente e de forma algo dispersa desde a década de 70 foram alimentando de vida estes prédios e conseguiram impor uma energia diferente. Diria única. Grandes personalidades de diferentes áreas nacionais por aqui passaram. E deixaram o seu rasto. É certo que a freguesia poderia ter aproveitado melhor a sua presença. Outros virão e certamente que se disponibilizarão para contribuir para esta diferença que nos caracteriza. Como terceira diferença apontaria o crescimento do sentimento de bairro. Não é fácil criar-se um sentimento de unidade numa freguesia urbana, com características de dormitório, com pessoas com actividades profissionais muito exigentes. Mas a verdade é que a Portela se une. Existe um sentimento comunitário. Sente-se, hoje, a presença de actividades e dinâmicas socioculturais próprias, de projectos que «arrastam» as pessoas das suas casas e que as transformam em seres humanos envolvidos com a sua comunidade. Atrevo-me a dizer que existe, ainda, uma outra grande diferença que tem vindo a ser construída por todos nós e que não terá fim. “A Humanização da nossa Portela”. A Portela é uma freguesia que sente hoje essa presença. As pessoas em primeiro lugar. Avós, filhos e netos têm sabido construir, pela positiva, a diferença da identidade e da alma que faz da Portela um lugar diferente para se viver. Continuarei a afirmar: A Portela é diferente. Maria Geni Veloso das Neves
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